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domingo, 23 de março de 2025
sábado, 19 de outubro de 2024
domingo, 3 de março de 2024
As Histórias de um Garoto e uma Escrita Forte da Vida
Em bloqueio criativo para o seu livro, um velo e solitário cronista de inexpressivo jornal aceita o convite para analisar as pequenas histórias de um garoto. E para esse encontro de almas, a vida lhe havia reservado uma escrita muito forte.
O Gatinho Pedra no Feijão
Em estilo lírico, divertido e reflexivo, as crônicas de Márcio buriti nos levam à paz das pequenas cidades. Ao fina de cada leitura, haverá de escapar do leitor, inopinadamente, o "Olha só! Que legal!"
A Moça que Lia no Alpendre
A viagem se inicia com um místico para descortinar o cotidiano poético, reflexivo, dos aspectos interioranos e, sobretudo, da esperança de encher os olhos encontrada em "Ergui a agulha do LP, e, para não a ver partir, subi à colina da minha vila. Ali, coração bélico, jurei a ter nos braços, passasse o tempo que fosse. E esse infinitivo se fez em 43 anos, quando a vi por uma Rede Social. Disse-lhe 'Oi!', ela sorriu também, repetindo, repetindo 'Oi!'".
quinta-feira, 9 de dezembro de 2021
No fim, só dá saudade
Mas, não.
Então paro, respiro, e daria outra poesia para ela se as árvores pegassem a falar sobre tal ou tais primaveras de outros tempos, e se não houvesse nos rostos apressados a mão colada na boca para sustentar outras bocas aber-tas.
Ah!
Mas, os pássaros, cadê os pássaros, meu Deus, os que sempre foram tra-pezistas no espaço brumoso para me ajudar com o lápis e o caderno? E essa sirene, aonde vai parar com a urgência de ontem, igual aos dois cãezinhos de olhares fundos a me perguntar distantemente se sou o companheiro deles? Não há rumores de amor… Não há, e parece que tudo vive como se não tivesse nascido. Igual à poesia que quero, mas que não me mostra o seu atalho. Queria uma poesia assim, assim para ela. Uma que não cheire a… Ah, não! Não queria ir para o meu quarto, recolher-me em mim, porque aí, no fim, só dá… É, é isso mesmo: saudade.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2021
segunda-feira, 8 de novembro de 2021
Recado
prateados nossos beijos idos à noite,
nossas mãos entrançadas,
a selar o segredo do amor em açoite.
Pelo tempo impreciso,
procissão pairante da lerda saudade
que me prende a corrente
e me solta às astúcias da tempestade
da falta de você…
Pelo lasso de não mais lhe ser lembrado,
Deixo-lhe, ó, deusa (em vão?),
tão remissivo e rogativo recado:
por um feixe do luar,
no alpendre do álamo da mi’a nova vida,
guardo, cuido a você
nossos beijos idos à noite… Ó, querida!
A "pedido" de um
coração esquecido e que, creio, vive à “estação de chegada” da sua nova vida.
sexta-feira, 29 de outubro de 2021
Mentira!
De
bodoque e bornal, cabelo testa abaixo e olhos da cor da esperança, dei giro
pela Vila. Passei na calçada de quem me queria, e eu nem aí. Voltei no rastro,
entrei na quadra e na rua seguinte para passar ao alpendre da casa de quem eu queria,
e ela nem aí. Passei rente, a rasgar o braço, porque ela estava e estava ao
alpendre.
Olhou-me,
primeiro para o bodoque e o bornal, enquanto eu queria que ela me visse como
caçador pronto para caçar o nosso namoro, e segui. Na praça da igreja, os buritis
apinhados de passarinhos, o sacristão e o padre, me viram. O sacristão, que
isso… matar passari-nho? Me dá esse bodoque, dou não, é meu, e nos rolamos.
Rasguei o beiço dele à unha, e com a mesma arma ele rasgou a mi-nha testa.
O
padre nos apartou, me mandou embora, e voltei pela calçada dela. Ao me ver
sangrando, e eu queria um ribeiro de sangue no meu rosto, ela levou as mãos à
boca — oh! —, e me convidou a entrar, a sentar no seu banco de alpendre.
Daí, que pensei ganhar um beijo da minha deusa, ela entrou na casa, veio com
tesoura, cortou em pedaços o meu bornal, as gomas, segurou um pauzinho da
forquilha, eu noutro, e adeus, bodoque.
Dias depois, a vi à janelinha do expresso, ela a se mudar para a cidade grande. Foi quando meus olhos perderam o verde da esperança, e as minhas esperanças de muita coisa, ó….
Agora,
cinquenta anos depois… Mentira! Gritei comigo, ao vê-la pela Internet.
sexta-feira, 8 de outubro de 2021
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
Encosto
Causo: O Coração Desarranjado do Jãozé
pau-a-pique verde,
e do lenhafogo estala os beijos de Si-si.
Pelas telhas de sonho
se vê do outro lado.
E doutro lado da Cheia que entra,
a sua Deusa Si-si virá vestida de railua,
cheirada de amor.
Aí, a matitaperê
Pau-a-pique secou,
a lenha se molhou,
a Cheia se gorou.
Si-si virá, viria, veinão.
Nhássó,
benzedeira do Riachão,
no seu camim a Jãozé,
arruda, licrim, guiné.
Ramim não desramou por espinha-caída,
por tico de mauoiado.
Arruda chorou,
guiné murchou,
licrim secou,
Observando uma casinha sem morador.
Andrequicé, Três-Marias, Minas Gerais, setembro de 2021.
quarta-feira, 22 de setembro de 2021
Quem Sôi Nóis...
Sôtõezim,
na casa do seu compadre Sêo Zé Afonso. Ele é padrinho do Traque, irmão do Duca,
os dois amigos do Poêra. São meninos de nove para onze anos que se irmanam com
um papagaio falador, de nome Zeca, e saem pelo campo e desce e sobe o rio a
nado e fazem balanço de cipó sobre o riozinho.
Sôtõezim, ao café, quer saber do afilhado:
—
Compadre, quede o Traque?
Sêo Zé Afonso corre as mãos no rosto:
—
Verdade, compadre, num sei. Falei coa muié que, quem pode coeles, é só o Saci.
Eles se juntam e saem poraí, afora, fazendo bobage. Sobe morro, desce morro, pé
de manga, de goiaba, mergúia, pega peixe coa mão, mexe coas éguas, coas cabras
do vizim, e antonte o Traque descuidou e a mãe dele viu que ele escondia coisa
dentro da carça. Foi ver, era uma carcinha queles ensinaro o Zeca a
roubá das cordas de secá rôpa, e a muié inda quis queu fosse adevorvê a coisinha…
Ói, ocê vê! O negóço, compadre, é que já tou a ponto de pegar o chicote e dar jeito
ne-les…
Do breve silêncio da conversa, Sôtõezim arremata:
— Ara, compadre! Quem sôi nóis de pegá valentia cos meninos, sô. Se assuntá direitim, nóis tem deles é inveja enrascada com sodade, num é? Larga os menino, compadre! Quem sôi nóis…
Arraial d'Ajuda, setembro de 2021.
sábado, 5 de junho de 2021
quarta-feira, 14 de abril de 2021
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
Léo
Léo da Amanda, do Dirceu, da Aninha.
O Rei Sol deita os raios na grama, e estes se espalham que nem sombra de nuvem para secar possíveis rastros de tristeza. Já sei, qual é a do Rei Sol: é purificar o Parque para a chegada das cri-anças.
E o meu coração, de tão bom que é ver o Léo, me pinta um quadro: o Parque é o céu e ele uma pipa amarela a deslizar-se pelo azul. Daí, que a sua mãe e a irmã se ocuparam com as amigas, Léo se esgueirou para o Velhinho da Pipoca. Já esteve com ele outras ve-zes, muitas, e da primeira se fizeram amigos.
Sim, amigos. Tanto que a prosa de amigos de longe revela ternura. E agora, o Velhinho da Pipoca apontou o dedo para certo lugar por ali, e eu, como sei o que se passa, denuncio o que ele disse ao garoto: “Sim, Léo, é bem ali, perto da sua casa”. Daí, em novo gesticular, finalizou: “Isso, Léo. Faça isso, garoto! Vá em frente!”.
Ninguém sabe de nada. É ainda mistério. Somente Léo e o Velhinho da Pipoca, que, confesso, sou eu, é que sabemos. E o que escondeu dos pais, por receio de eles não o aprovar, acon-teceu.
Foi num feriado desses, um dia de não deixar a cama que, instruído em sonho por seu Amigo Invisível, Léo saiu. Em modo furtivo, com lápis, folha de caderno e biscoitos no bolso, seguiu direto para a grade de uma casa, onde um cãozinho morria aos poucos por maus tratos. Ele e o vira-latinha eram os únicos acordados naquela manhã, e o pobrezinho, encolhido de frio, aten-deu ao seu estalar de dedos.
Léo o tirou daquele horror, envolveu-o com a sua camisa e, a caminho do Abrigo São Chiquim de Assis, o dos animais abandonados (“Sim, Léo, é bem ali, perto da sua casa”), lhe foi dando biscoitos. Deitou o frágil cãozinho à porta e, a olhar para os lados, escreveu rápido bilhete: “Ele morria, onde vivia”, e tocou a campainha.
Atrás de um poste, Léo assistiu a uma das cuidadoras recolher o vira-latinha. Em casa, vestiu nova camisa de pijama e se fingiu dormido até a sua mãe o chamar. Será que a mãe (e as mães têm pacto com os Anjos), irá dar falta da camisa? Pode ser. Até lá, ninguém sabe nada, enquanto os raios do Rei Sol se espalham para secar possíveis rastros de tristeza, no Parque.
segunda-feira, 14 de setembro de 2020
Os Três Desejos de Aninha
quarta-feira, 22 de julho de 2020
De quem, essas palavras?
Terna manhã
em que o passaredo canta
e o dia se desperta
para se pôr na beira do rio
a ouvir a toada da água
e sentir o olor das florezinhas...
Mas sou mais que o dia,
pois todas as manhãs,
antes que o passaredo canta,
me ponho feito poesia ao seu lado
para te encher de beijos,
minha Mariazinha.
quinta-feira, 16 de julho de 2020
A tristeza do Zeca
Me pergunto em que posso ajudar o meu amigo Zeca. Estou por saber, porque o Vírus Corona me freia de passar umas horas com ele, na pra-cinha.
Da penúltima vez, eu lhe disse, da
janela do meu quarto, que o Vírus está aqui, na nossa grande Escola, para
calibrar as cores da Natu-reza, engrenar as estações do ano e a nos dar algumas liçõezinhas.
Por exemplo, a prática da nossa igualdade, a solidariedade, porque não passamos
de criaturas, como o são os animais, os rios, as árvores… E que sejamos bons alu-nos,
nós, os humanos, e não saiamos de casa para não atrapalhar o trabalho do Vírus.
Mas não é fácil. Zeca diz, com a sua eterna
rouquidão, que nada tem a ver com as destruições da nossa grande Escola e com a
nossa (um tanto) falta de empatia. Assim, ele não aceita o fato de eu não estar
com ele, na pracinha. Embirra-se (que dó!) e vai aí, a querer ver as suas
pessoas. Doido por criança, quer ver a Gabriela, o Xande, a Bianca, a Aninha …
e nada. As crianças estão dentro de casa.
No entanto, estou a progredir quanto à
tristeza do Zeca. Ele já entende a Quarentena, parece, e está de cara melhor.
Tanto que hoje, cedinho, pousou na minha janela e bicou uma papaia por inteira.
Daí me disse “voá, voá” e voou. Mas em
segundos, voltou para agarrar a casca, que ficou na minha mão. Eita, papagaio!
terça-feira, 7 de julho de 2020
Doutora Luísa
segunda-feira, 29 de junho de 2020
Em memória de Nina da Rua
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| "Nina da Rua" |
Homenagem a uma gata da Turquia.



















