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sábado, 27 de agosto de 2016

Neusa

É pra ela, Neusa, dona Neusa, rancheira ribeirinha do Rio Tocantins, em seu amor metafísico.


OS olhos dele, em meio dos que me espreitavam, me foram tapetes de esperança em que me espreguicei.
     E num luar, eu na cama com meus pareceres noturnos, ele pega e cola os lábios na janela: “Neusa...”. Aí eu o fiz assim como um quê sem par: se esquecido; todo abandonado em mim.
     Mas o amor é difícil. É raro brilhante de  sonho. Urge estar em mutuca (1). E no nosso amor, nossas artes lasseavam: a gente tinha nem forcinha prum suspiro.
           Não há luxo que encobre o inclinado ao que não presta. Já a nossa vida de rancho beira-chão, era tão graça, tão fina, tão santa que nem essa lua a querer-se ver na pele do rio.


(Pausa.
Ela deita o olhar à lua, mas me parece que a lua é que descansa nela o olhar. Como eu)


    Ele se foi. Mas o meu desperto é que ele me vem num arzinho buliçoso. Ah, achas que eu aqui, ele noutra espécie, isso me isola do arrepio aos seus toques? Não, não! Ó, alumias aqui, o meu braço... Ó!


(1) mutuca: “estar em mutuca” é estar atento. Faz alusão a estar atento à mutuca, inseto de picada dolorosa.