Para Bianca cintilada, o beijo do vovô.
Nem que a rosa se faça em cá-lice para o orvalho, e este só quer é brincar de branquear a borda das suas pétalas, nem que o silêncio da madrugada me farfalhe versos da chuva no rio, da qual os pingos saltam como bolinhas de vidro ao sol, nada me faz fechar os olhos a me sentir tão bem quanto o arzinho de que Bianca está para chegar.
Nem quando se liberta a aura do perfume matinal, que é o aviso do reacender-se das florezinhas campais, e que o cardume de pi-rilampos, que se passam por estrelas no meu quintal, foge do dia... Nada. Aliás, só uma coisa me fez fechar os olhos a me sentir tão bem com o arzinho de que Bianca já chegou: foi aquela estrela den-tre as púrpuras da aurora, que, antes de se sumir no céu, me fez saber que havia sido ela que me cintilou Bianca.
Uberlândia, 1/11/2019
