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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Prosa para Bianca

Para Bianca cintilada, o beijo do vovô.



Bianca
    Nem a estrela que ficou entre as púrpuras da aurora, nem quando o vento melancólico geme, e os pás-saros o animem com o revoar na mata, e nem que o sabiá cante por nuvens cinzas dalém da serra, na-da me faz fechar os olhos a me sentir tão bem quanto o arzinho de que Bianca já está em viagem.
   Nem que a rosa se faça em cá-lice para o orvalho, e este só quer é brincar de branquear a borda das suas pétalas, nem que o silêncio da madrugada me farfalhe versos da chuva no rio, da qual os pingos saltam como bolinhas de vidro ao sol, nada me faz fechar os olhos a me sentir tão bem quanto o arzinho de que Bianca está para chegar.
    Nem quando se liberta a aura do perfume matinal, que é o aviso do reacender-se das florezinhas campais, e que o cardume de pi-rilampos, que se passam por estrelas no meu quintal, foge do dia... Nada. Aliás, só uma coisa me fez fechar os olhos a me sentir tão bem com o arzinho de que Bianca já chegou: foi aquela estrela den-tre as púrpuras da aurora, que, antes de se sumir no céu, me fez saber que havia sido ela que me cintilou Bianca.



Uberlândia, 1/11/2019