É sem esquinas e falta portas.
É sem guarida e falta postes.
É sem plantinha e falta pedra.
É sem recreio, pois falta pão,
e falta prole,
e falta pipa.
(Mas que imponente
c'est ma Champs-Élysées,
c'est ma Avenue Montaigne,
c’est ma Rue Soufflot!)
De um porquê, a rua pobre,
toda despida, toda rasgada,
é a minha volta, a minha casa,
pois nela mora
(quem a adorna),
(quem a adorna),
o meu amor,
eterno amor!
(Depois de tantos anos no mundo, agora vive, anonimamente, em farrapos nessa rua, num galpão em destroços. Boca da noite, a senhora da casa da frente lhe leva comida. E é ela voltar e fechar a porta, ele pega a cantarolar estes versinhos que inventou. Daí, chora. Chora).
