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sábado, 1 de outubro de 2016

O morador da rua pobre

Uma senhorazinha havia dito: "Morar numa ruazinha como aquela? Que será?"


É rua pobre.
É sem esquinas e falta portas.
É sem guarida  e falta postes.
É sem plantinha e falta pedra.
É sem recreio, pois  falta pão,
 e falta prole,
e falta pipa.

(Mas que imponente
c'est ma Champs-Élysées,
c'est ma Avenue Montaigne,
c’est ma Rue Soufflot!)

De um porquê, a rua pobre,
toda despida, toda rasgada,
é a minha volta, a minha casa,
pois nela mora 
(quem a adorna),
o meu amor,
eterno amor!

(Depois de tantos anos no mundo, agora vive, anonimamente, em farrapos nessa rua, num galpão em destroços. Boca da noite, a senhora da casa da frente lhe leva comida. E é ela voltar e fechar a porta, ele pega a cantarolar estes versinhos que inventou. Daí, chora. Chora).