O pintor,
seus velhos pincéis,
e um dia a mais de meia noite, de meias doses, de fundos ais à dura
mudez da busca.
E passam nuvens, e passam luas, e passam sonos até que lhe roga
tintas a tela. Ufa!
E nada nasce do nada:
uma primavera lhe fura o bloqueio outonal. Ele tira rastro de tinta da
manhã enroupada de lãs; da candura do branco da dama-da-noite;
da magia do róseo da pele em flor; dos rubros da volúpia dos lábios;
do verde....O macio travesseiro da esperança! —; do azul, o sono da
água mais pura e do olhar absorto da lua; do amarelo, que se desco-
la do Sol e se faz em ruído de harmonia na rosa.
O pintor,
seus velhos pincéis,
e tudo se descansa ao rastro de tinta sobre tela, “Ela”, brotado da
primavera que lhe furou o bloqueio outonal. Enfim, pôde o pintor
beijar sua hipotética obra e viver à janela fundos ais à dura mudez
da noite.
beijar sua hipotética obra e viver à janela fundos ais à dura mudez
da noite.
