terça-feira, 21 de março de 2017

Pêpê-Aiá

A saudade ressuscita 
a quem passou nas nossas vidas:
― Olá, Pepê Aiá! Como vai você?




Benção, ó Rua Caládia
– presépio de crianças –,
que lá vem outro sol
do mais incauto brilho;
que lá vem outra raia
do mais ávido empino;
que lá vem Pepê Aiá!

— Leia aqui, Pepê Aiá,
nesta folha tão branca
quão vida de criança.
E ele se curva e lê:
— Pê-pê-ai-á-pê-pê
ai-á-pê-pê-ai-á...
Erudito de outrora,
é Pêpê às crianças
a bola da criança,
um riso de criança.

Bênção, ó Rua Caládia,
– presépio de saudade -,
em que se fez Pêpê
numa aurora risonha,
num repicar dos sinos
da infância queinda soa.

— Pêpê, onde tu andas?


quarta-feira, 8 de março de 2017

Psiu, vó!, ou Isto é que é feriado!

Crônica para Isabelita Brito Céo, no seu aniversário de 2017.




DOS affs! à matemática ao oba! de aprender aqui que feriado é chuvinha no telhado, milho às galinhas, passarinho bicando junto. Também é pé na trilha, aguinha do corgo a bater nas pedras. Agora, vem cá: aquilo ali, de lá do corgo, é in-vasão: um casal a construir a sua casa?! Vou chamar a minha vó, ah, se vou! Saio de liso, volto com ela. Psiu, vó, e a gente de bruços na grama, detrás de arbusto, de olho nos invasores. O braço da minha vó dorme nas minhas costas, e quem nunca sentiu o cheiro de choro por uma coisa assim? Hã? Aí a casinha dos invasores está quase pronta. E a gente nesta de o que fazer ou não fazer, minha vó se lembra não sei do que na cozinha, quem sabe o feijão, sai de supetão, se dispara pra casa, e os invasores se assustam, se disparam pra mata. Ah, não! Quem sabe amanhã, eu penso, e o amanhã é agora, em que os invasores, um casal de joão-de-barro, cantam à porta da casinha que construíram no pé de ingá. Vou chamar a minha vó, saio de liso, volto com ela. E neste fim de aprendizado sobre o que é feriado de verdade.... Psiiiu, vó, pra eles cantar, tá? No mais, é eu aqui agora, na cidade, em affs à matemática. Maeê!