quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Singeleza

Para Mariana, a Naninha, à janela para o seu grande dia.
Para um menininho, o Chiquinho, que não vejo a brincar.



Do corguinho, ouve-se o xep, xep da vassourinha da vovó.

A Vó quer varrer da varanda a madrugada, mas a manhã está de molho atrás do morro. Manhã manhosa ̶  a Vó se molesta ̶ não abre a mala do seu mágico claro. Vai ver, zzzzz! E a Vó verseja: a manhã puxou à moça namoradeira, a que fica a raiar o olhar para o espelho, noite adentro. Só sai do molho pra jogar na bica as mazelinhas de namoro.

―Mas a manhã está no menininho a falar com o Chupim que está no ninho do Tico-tico.... Não vê, Vó? ̶ o invisível lhe diz.

Hã-hã?, e a Vó avoa um riso ao menininho (porque basta um riso para o brotar do brilho da alegria nos olhos de alguém). Então Chupim se chacoalha no ninho do Tico-tico. Que tipo! O menininho não o quer no chafariz da estrela que deu à menina Stela. Chupim bate as asinhas (um dar de ombros?); menininho lhe aponta o dedo (um dar de ordens?); Vó entra no meio (um dar de bronca?), que toda briga a ninguém abriga. E Vó jura um xep, xep nas cores da saudade do menininho por Stela. Aí o vento se espreguiça (o vento é cúmplice por levar e trazer as saudades do menininho e de Stela). O vento distrai a Vó da jura que fez, jogando, na mais bendita singeleza, a ciscalhada pra varanda. Ô!

Do corguinho, ouve-se o xep, xep da vassourinha da vovó.