sexta-feira, 10 de maio de 2013

Manu e seus amigos da barra-pesada

Esta historinha é para Manuela Borges Elias, a menininha com "olhinhos de passarinho em galho estranho".




CAÍRAM TRÊS PINGENTES da estrela da manhã na casa da Manu: dois cãezinhos espoletas, Ted e Pitoco, que formam time com a gatinha Nina. Ela os ganhou! Na verdade, disse a mãe da Manu, o time é um quarteto, pois Manu tabela com eles que é uma beleza.
    Quem vê não duvida que olhinhos semelhantes se atraiam. Todos, incluindo a Manu, têm os olhinhos, sem tirar nem pôr, de um passarinho em galho estranho. E, com olhinhos assim, irrequietos, São Miguel Arcanjo cruza os bruços e agarra a rir.
      A amizade neles foi que nem fogo em pólvora: vúu! Aí, outro dia, a mãe chegou das compras e se embasbacou, ao ver a sala num carnaval de recheio de almofadas. E mais: à porta, ela ganhou na boca um fiapo dos recheios que voaram rumo ao dia.
      A mãe gritou pra nunca mais gritar: “Manu! Nina! Pitoco! Ted!”. E, se não viu quando pegou a chinela, viu-se frágil diante deles: eles encolhidos no sofá, e nos olhinhos o mais puro que exala de uma flor. Hã! Sem força, ela disse: “Desculpa crianças”.
    Cada um tem a sua jogada: Pitoco é roer pernas e canto de mesas e cadeiras; Ted é enfiar dentes e garras em almofadas, travesseiros... Nina é subir na pia, nos armários, e procurar aí o que não perdeu; e Manu é curtir seus amigos da barra-pesada.
      A mãe gritou pra nunca mais gritar: “Manu! Nina! Pitoco! Ted!” E, se não se viu cair de costas na cama, a cama num carnaval de recheios de travesseiro, não viu que deixou a chinela cair, coisa que chovia água da pia na cozinha.
     Como, assim? Água a cair da pia? Uai! Água cai é da torneira na pia... Nesse dia, não: a mãe esqueceu a torneira aberta porque correu atrás de um reeec vindo do quarto; e reeec é o som de uma cortina sendo rasgada. Enquanto isso, a gatinha Nina saltou-se na pia e derrubou algo que caiu feito uma luva no ralo, entupindo-o.
       Outro dia, a mãe chegou das compras, e cadê fuzarca? Tudo quieto tal o porquinho de moedas da Manu. Mas, nem tudo certo tal o torto do anzol: é que Manu estava nos fundos, vendo seus amigos a imobilizar o guri Pedrinho, que tinha acabado de saltar ao muro.
      Mas, calma. Pedrinho é o amiguinho de Manu, que, cansado de chamar à porta da sala, resolveu saltar ao muro para brincar com eles. Aí, bom, aí São Miguel Arcanjo não pega a rir, mas a gargalhar ao céu inteiro. Gargalhar de tudo e da mãe, que ligou pra mãe, mas falou com o pai.
     Subentende-se o que ela disse, pela resposta do pai: “Aguenta, sim, minha filha. Você é mãe. E mãe aguenta as cargas de uma guerra nas costas, sem susto. Mãe é mãe, minha filha, e ponto e acabado”.
     Ponto e acabado que ela foi lá, soltou Pedrinho das garras dos pingentes e deixou o time jogar. Mas, aí, diinhas depois, São Miguel Arcanjo, que tinha outras crianças com seus pingentes pra olhar, arrumou jogo pra eles no parque... 
      Agora, a mãe só fala em ufas: “Ufa! Bom é que não tem mais jogo aqui em casa, porque eles só querem o parque e chegam muito cansados, e eu aproveitei e troquei tudo: cadeiras, gols, o piso, camisas... Tudo. Troquei tudo. Ufa!”.



15 comentários:

  1. Hello Burity! I figured the house situation, kkkkkkkkk! It was very cute! Hug, USA.

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    1. Obrigado, amiga USA. Beijo. Tchau!

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  2. Fiquei imaginando a sena aqui. Que bagunça...rs. Tenho um destruidor aqui. Sempre bom ler você amigo. Carinho da Cida.

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  3. Amei! Engraçado que estava falando disso hoje com um amigo: ser mãe/pai é padecer no paraíso. Com toda essa luta, a mãe não trocava essa turminha aí por nada.

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  4. Creio que as mães acabam se acostumando com essa loucura, que passa a ser motivo de risos em conversas futuras. Mas precisam de uma ajudinha divina (rss). Abraços!

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  5. Eu sempre me encanto com teu talento, com tua criatividade, e digo-lhe, que somente os corações puros, descrevem histórias infantis com tamanha beleza, eu didria ,feito criança mesmo. Um abração, mestre amigo.

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  6. Concordo com o Sérgio Carvalho (acima). Só um coração puro pode nos fazer crer nesse mundo encantado. Abç carinhoso da amiga Cintia

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  7. Olha eu aqui no seu blog, só para dizer que vc sabe como inguém dá vida aos seus personagens infantis, eles ficam pulando na minha imaginação, são vibrantes, alegres, assim como deve ser a sua alma. Bjos
    Márcia Kaline

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  8. rsrsrsrs... esse cachorrinho parece com o meu falecido Aleph! Ainda tenho pés de mesa e cadeiras roídas por ele. Mais uma vez, encantador, ou seja, enCÃOtador!

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  9. Ah que fofo!rs


    Marcio querido, muito prazer e obrigada pela visita tao carinhosa!
    Amei tudo por aqui! Quero ler-te muito...
    Tamos juntos por aí!

    Beijão!

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  10. Olha eu aqui, Márcio! Dei uma fugidinha da fuzarca das coisas de escola e vim misturar-me a esse adorável quarteto de pingentes e depois me solidarizar com a mãe e ajudá-la a reorganizar tudo! E eu. cada dia mais criança, toda serelepe diante do meu encantador de palavras predileto! Grande abraço!

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  11. Eita turminha pra bagunçar, né mesmo? A minha vizinha tem quatro cachorrinhos e nenhum gato. (Risos) Um, eu sei que se chama Ted, uma cachorrinha se chama Claudina e os outros, que não levam grito, eu não sei dizer os nomes. Gosto de vir aqui, ler você e esquecer a vida lá fora. Parabéns, pelo maravilhoso trabalho literário. Bom para todas as idades.

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  12. Olá Marcio, vim me encantar lendos teus lindos e inspirados textos! Linda estória...é prazeroso te ler! abraços, ania...

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  13. Uma verdadeira "orgia" de criançada encantando-nos a alma com tamanha pureza e alegria, associada às proezas dos animaizinhos queridos.
    São Miguel Arcanjo, tão atarefado, mas soube dar jeito na situação. Mamãe até quando terá cadeiras reformadas, piso limpinho?
    Só saberemos, quando Márcio nos contar uma outra historinha.
    Sinto-me criança.Parabéns!

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  14. Nossa, Márcio, já estou até cansada! Que fuzarca na casa! Ainda bem que aqui é uma só e vem de visita, nào é minha não. Mas é lindinha e não tão levada. Só que quando consegue subir na cama fica latindo pra chamar a atenção e a gente ver o malfeito!

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